Estava na hora de eu aparecer por aqui! (está na hora de tanta coisa).
Tem sido difícil me encontrar e vir para cá. Por bons motivos, acho. Vejo uma clara diferença na Isabel de 2007 para 2008. Estou aprendendo muito e tendo a impressão de que vejo o mundo cada vez mais do alto. Mas no meio de tudo isso, vejo também estou devendo telefonemas, cervejas, cafés, declarações.
Fiz esses dias as contas e cheguei à conclusão de que cinco mulheres precisam coexistir em você, para você ser completa: a tratada (que está com unha, cabelo e depilação em dia); a interessante (que lê os clássicos, os lançamentos, jornais, revistas, feeds, assiste às estréias no cinema, vê as peças do momento e, claro, conhece também a crítica de todas elas); a trabalhadora; a dona-de-casa; e a malhada. Errei! Tem mais uma: a afetusa - que liga sempre e não deixa nenhum amigo ou parente se sentindo largado às traças.
Tenho falhado nessa quinta e sexta mulheres que preciso ser para dar conta de tudo que está ao meu redor. É claro que isso não significa que as outras estejam sendo plenamente atendidas, mas pelo menos destas escolho (ou a vida escolhe?) dois ou três itens para levar a sério. Tem comida na geladeira, minhas roupas estão limpas, dei conta dos textos do mestrado essa semana. Ainda não fiz a unha, mas ela também não está indecente. E no meio dessas contas já lembrei de uma sétima: a estudiosa (que faz pós e freqüenta aulas de línguas - uma terceira, porque duas ela já domina); e de uma oitava: a descolada (que sabe onde é o melhor lugar para se comprar as coisas no bairro, quais são os melhores bares e promoções do momento, etc).
Nunca perdoei falta de tempo como desculpa para nada, não tentaria agora fazer ninguém engolir essa. Não é por falta de tempo que tenho deixado algumas de minhas mulheres desnutridas. É por falta de espaço na cabeça para pensar, lembrar de todas as esferas em que eu preciso agir. Esqueço que gosto de música, da mesma forma que esqueço de regar as plantas.
Está na hora de muita coisa. Tomara que lidar com isso seja algo que se aprenda, e não com que se acostume.
UPDATE: Arrumei uma passadeira! Quem sabe agora sobre cabeça para mais isabéis. Não que eu passasse roupa antes, mas perdia espaço da cabeça lamentando que elas estivessem amassadas.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
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3 comentários:
Nossa flor, a identificação com esse seu texto foi instantânea. Nunca pensei nas mulheres que preciso ter em mim para me sentir completa, mas sei que há muito coisa faltando.
Também não gosto da desculpa da falta de tempo, mas a uso constantemente. Vou parar com isso =P.
beijocas
bel!
que lindo esse post, juro! no meu caso, a mulher arrumada não existe - não por falta de tempo, por opção mesmo. mas eu também fico devendo mil coisas a mil pessoas (vc é uma delas).
nossa, vc me inspirou, vou lá no wahthefuck e já volto!
saudades.
bjos
Gabi, querida, obrigada pela visita e por se juntar a mim no coro contra a desculpa da falta de tempo =)
Rach!!! Esse texto foi escrito pra vc, sabia? Por causa das nossas enrolações e dívidas uma com a outra! Parei pra pensar que tinha que haver um motivo para isso! Beijãooo!
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